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Tudo a Meias

Histórias que chegam ao telhado. Agora também nas 'Netherlands'.

Filhinhos da mamã

por tudoameias, em 05.07.13

 

Pais e filhos

 

Continuaremos a ser eternos "filhinhos da mamã" se não formos capazes de dizer SIM à adversidade. E os culpados disto tudo (no bom sentido) são, regra geral, os pais. Eu não sei como são os vossos (e até conheço pais de amigos meus que incentivam os filhos a sair de casa) mas os meus… tem sido uma dura luta. Às vezes quase ao nível da tortura! Não levaram a coisa a bem, de uma forma natural. "Filha porque vais fazer isso? Não te falta nada cá em casa, tens a tua independência na mesma", "Esta casa é tua, podes ficar com ela", "Podes viver connosco até aos 40 se quiseres"… Também vos disseram isto? Eu sei que sou uma filha genial que nenhum pai e mãe quereria perder mas… tanto sofrimento não por favor!

 

Só vou viver a uns quilómetros daqui, e vou ter sempre a minha casa como o refúgio das minhas melhores memórias. Mais do que isso, a minha rua, onde moram nove pessoas da minha família. Onde saltamos de uma casa para a outra e até temos a chave das casas uns dos outros. Amo isso, mas chegou a altura de mudar. Conversava com alguém há dias que me disse que os filhos não são dos pais. Somos em crias, mas, uma vez crescidos é altura de nos deixarem ir… voar, se quisermos a coisa mais poética.

 

A família é sempre a nossa maior aliada, mas nesta horas em que queremos mudar, é sempre a nossa maior inimiga, a que nos puxa para o comodismo. Com o mundo a rebentar de caos e problemas, cada vez mais se torna relevante que os pais eduquem os filhos com maior desprendimento. Porque os anos que aí vêm não serão pera doce e muitos de nós não vão estar preparados. Vai ser bom para eles e será melhor para nós. A nossa geração e as seguintes são cada vez mais protegidas. Há sempre um pânico muito grande com o que quer que façamos. É um facto. "O menino não pode passar por isto", "Vamos pagar um apartamento para o menino viver", "Vamos passar fome para o menino ter um bom carro coitadinho porque na faculdade privada só aceitam carros de alta cilindrada".

 

O menino e a menina podem sim! Conheço muito boa gente que ganha menos de que eu e consegue fazer uma vida digna e com qualidade. O problema é sempre não querermos abdicar do conforto total. E nisso, os nossos pais são peritos! Roupas caras, faculdade, férias, comida da boa, vícios caros, pequeno-almoço na cama, até! Eu agradeço aos meus pais todo o conforto que me deram ao longo destes anos. Amo os meus pais e a minha família e estou-lhes muito grata pelo esforço mas… chegou a hora! E já vem tarde!

 

Chegou a hora de ter de fazer escolhas, listas de compras, decidir qual o melhor detergente para lavar a casa de banho, procurar o supermercado mais barato, cozinhar, lavar a roupa, limpar a casa, chegar ao fim do mês e contar os trocos, mas ainda assim, olharmos à volta e vermos que tudo o que temos foi conseguido com o nosso esforço e trabalho. (Só não sei ainda como vou fazer com a provável bicharada, tipo centopeias, que só a minha mãe e o meu pai dão conta e que me deixam histérica.) Anyway, a independência financeira, creio que será a única coisa por que verdadeiramente lutaremos nos próximos anos. Ter dinheiro para uma vida digna e confortável, não à larga. Se der para isso já sou feliz.

 

Para os meus pais também chegou a hora de retomarem a vida deles, sem despesas com filhos, viajarem e gozarem a idade da reforma. Ao sacrificarem-se demasiado por nós os pais fazem-nos entrar numa espiral de conformismo e desmotivação. Quando me dizem que trabalharam todos estes anos para me dar tudo, a temperatura do meu corpo sobe para os 50 graus. Não! Trabalharam durante este anos para fazer de mim uma mulher. Agora que sou, chegou a altura de me deixarem ir, sem ressentimentos. Já só consigo pensar nos planos que tenho para a minha nova casa! Pai e mãe, tios e tias, primos e primas: Seremos sempre uma família, só que a viver em casas separadas. Love You all.

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