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Tudo a Meias

Histórias que chegam ao telhado. Agora também nas 'Netherlands'.

Como é que te sentes? Sinto-me 'Netherlands'!

por tudoameias, em 07.06.15

cat_netherlands.jpgHá quase um ano (ainda que intermitente) em Roterdão já me habituei a quase tudo. Aos broodjes, ao vento que me corta a cara como um x-ato, ao cheiro constante a fritos na rua, a jantar cedo, a dizer “dank u wel”, a nunca conseguir perceber “quer o recibo?” em holandês (eles dizem-no sempre de maneira diferente e não, não se consegue memorizar aquele som) até a sentir que eles sentem que não sou holandesa quando sorriem com amizade do alto (por vezes arrogante) dos seus um metro e muitos. Ou quando nos abordam nos bares para saber se gostamos do hino da cidade (que cantam com afinco e voz grossa). Quase toda a gente fala inglês o que o torna num admirável mundo novo.

 

O que ainda me custa suportar é o tempo cinzento. O sol não brilha como no Porto. O céu (GOD!) a milhas de ser azul. Quente? Só de vez em quando. E quando está é vê-las ‘hot’, todas descascadas no lago de cabelos loiros e ondulantes no seu estilo ‘lazy cool’.

 

Os ‘dutch’ são, regra geral, um povo respeitador de regras. Não os vejo a passar muitos vermelhos, não ultrapassam os limites de velocidade, ainda não os apanhei a falar ao telemóvel enquanto conduzem (embora passem muito tempo no trânsito), pagam as contas a tempo e horas e são religiosos praticantes de exercício físico. São ótimos anfitriões. ‘Act normal’. Não abanam o bumbum enquanto dançam (e se o fizeres 1. dizem logo que és ‘hot latina’, 2. acham que és um ser estranho e apontam o dedo) e, regra geral, não falam alto em multidões. No Metro só se ouve português (eu, claro, e falo sempre alto). Enfim, há coisas que nunca mudam!

 

Os dotes culinários ficam muuuuuuuuito mal na fotografia. Um povo que tem nas broodjes a comida nacional… está-se mesmo a ver como um português se sente na Holanda. Mas calma, eles têm muito orgulho na sua batata e os seus queijos são ‘the ultimate’. Os doces têm dias. E podemos fazer verdadeiros banquetes em casa sempre que vamos ao mercado. Como dizem os Mind Da Gap, ‘até ficas parvo’ com tanta abundância gastronómica.

 

Mas os holandeses têm um grande problema: não respeitam as filas. Infiltram-se, mesmo à tua frente e a assobiar para o lado. Ouch! É vê-los no supermercado, na farmácia, nas lojas, nos bares e cafés. Sorrateiros, enquanto pisam o risco. O que poderia ser um indício de que são um povo apressado ‘né’? Mas não. Viver na Holanda é viver sem stress. Esqueçam o ioga, a meditação ou qualquer técnica de relaxamento em que têm de fazer o pino e respirar 20 vezes intensamente.

 

Na Holanda o tempo é como se fosse uma outra variável onde o relógio se torna de repente o melhor dos teus amigos. Os dias rendem, sobretudo no horário de verão. Ninguém anda apressado, sais cedo do trabalho, dás uma corrida no parque, jantas e ainda sobra tempo antes de dormir. Para quem não está habituado, às vezes torna-se too much. Tudo está perto, o supermercado, a creche, a escola, a lavandaria…. E tudo isto posso fazê-lo romanticamente enquanto pedalo numa bicicleta com um cesto à frente. SORRYYY! É estupidamente fácil viver nas ‘Netherlands’. E eu já estou cheia de saudades.