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Tudo a Meias

Histórias que chegam ao telhado. Agora também nas 'Netherlands'.

O pecado da vaidade não é um mito. É um torcicolo

por tudoameias, em 19.06.15

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Catarina, Catarina… Sempre tive uma boa relação com espelhos, mas isso era até hoje. E dou já o conselho se não quiserem ler até ao fim: que os homens e as mulheres sejam os vossos barómetros. Nunca os espelhos! Porque vos pode sair caro. Perdão, um torcicolo.

 

Vou-vos contar uma história. Hoje, num normal início de manhã estava a acabar de me vestir e a dar o plim final do espelho. Chamem-me fútil, eu considero-me uma lady. Toque frontal, ok, lateral ok, agora o bumbum. E bam! É aí que o meu pescoço estala. Como se tivesse pisado um caracol. Se doeu? ‘Cum’ó caraças’? F******! Mas como vaidade não dá espaço a lamentos, siga para o batom vermelho e nutrir o corpo. Cinco minutos depois dou uma segunda tentativa. "Isto foi um só um jeito momentâneo e já vai ao sítio!". Não foi. Piorou, aliás. Até ficar com pescoço de lado e cara de nojo.

 

O que é que eu fiz? Meti-me no carro e conduzi em direção ao fisioterapeuta. Enquanto percorria a estrada ainda tive tempo para delírios verdadeiramente assoberbantes (se isto é o crânio partido, hematoma cerebral, 'oh meu deus!'). E não sem antes passar pelo espelho do prédio mais próximo e reforçar o batom vermelho. Juro que é verdade e não tenho vergonha disso. Faz parte… disfarçar as nossas fraquezas. E aqui começa o filme de terror. Mal me deitei na maca o meu pescoço caiu na mão do fisioterapeuta. Foi dramático. Tão dramático que se me voltar a acontecer algo do género JURO que nunca mais sigo a máxima "Deixa que a Natureza cure por ela própria". Como o descrever? Quando queremos matar uma barata mas falhamos e ela fica a dar às patinhas de barriga para o ar. Era eu sim mas com lágrimas, suor e batom nas bochechas.

 

E quando sabes que alguém te vai pregar uma partida mas ficas com receio na mesma? Era ele a tentar esta técnica com o meu pescoço. "Relaxe” e… bam!" Ele bem que tentava endireitá-lo. E eu só recusei à terceira. Sim, resisti a dois esticões. Até que ele desistiu de mim. Talvez por vergonha, porque lhe esvaziei o consultório. Não havia nada a fazer senão um cocktail bombástico via seringa.

 

E assim fui… torta e de táxi à farmácia. Detox anti-dor, perna adormecida e o início de um ataque de pânico. E agora cá estou na melhor posição que poderia dar ao meu pescoço: laptop em cima das pernas e a escrever coisas. Não tão de ‘ladeiro’, de coleira cervical, mas de plataformas e batom vermelho. Eu não disse? Há coisas que nunca mudam.

 

PS: Esta girafa existe mesmo e partiu o pescoço. Eu já estive mais longe disso.