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Tudo a Meias

Histórias que chegam ao telhado. Agora também nas 'Netherlands'.

Os nós que atamos à vida

por tudoameias, em 06.06.14

 

Parece quase suicida o que às vezes fazemos com nós próprios. Amarramo-nos a coisas, atamos nós que não conseguimos desatar e, pior que isso, mesmo que os desatemos, a marca fica lá a apontar para o sítio onde já tivemos um nó.

 

Toda a gente tem, pelo menos, um nó tal como toda a gente tem uma pedra no sapato. É tão natural como cresceres. Quando somos pequenos e invencíveis (a invencível adolescência!) não existem nós. Olhamos em frente, o céu é o limite, tropeçamos nas pedras e fazemos feridas. Mas dos nós nada. São só adereços cool na roupa, nas sapatilhas ou nos tererés.

 

Quando cresces começas a amarrar-te a sério. A alguém, a um sítio, a um objeto, a uma profissão, a uma banda, a um modo de vida. E é aí que começas a olhar para trás, para a frente, espreitas lá atrás outra vez, dás uma curva e entretanto ele está lá a sorrir-te maleficamente na primeira paragem. Ele está lá e não te larga!

 

O nó não é um obstáculo que contornas. Não o podes ignorar. Tens mesmo que o desatar (ou não!) porque ele não te deixa andar. É como aquele nó no cordão da sapatilha que não te deixa enfiar o cordão no último buraco, portanto azar não consegues andar com a sapatilha a menos que compres uns cordões novos. Ou desates o nó com as tuas próprias unhas. A bem ou a mal. Desculpa, mas a mim ninguém me disse que a vida era fácil.

 

Vais ser tanto mais forte quanto mais nós desatares (ou não!) e conseguires viver com isso. Vais ficar com fortes dores no dedo devido à força que fazes para o desatar. E quando parece que desta é que é, ele volta a atar no momento final. Não desistas! Vais superar-te, ter orgulho naquilo que fizeste mas, inevitavelmente, vais olhar para trás porque ele é uma junção do passado, do presente e do futuro.

 

Que assim seja. Desata um de cada vez e respira fundo. Se tiveres de comprar uns cordões novos também não há problema. Só não deixes acumular os nós porque, mais tarde, vai ser difícil desatá-los todos de uma vez. Oh… como é difícil desatar nós!

 

Foto: tomdowson/freeimages